Existencialidades

Marcas e lembranças que restaram de ter deixado te sentir tão forte assim.

É de lágrima que eu faço um mar pra navegar dezembro 17, 2010

Filed under: sentimentalismos — Isa @ 6:13 pm

Tem gente que não tem casa.

Que mora na rua, ou em qualquer canto. Mas essas pessoas podem ter um la, um laço.

Eu tenho uma casa.

Uma casa enorme, com muitos cômodos, muita coisa, muito espaço.

Mas eu não tenho um lar.

Eu nunca tive lar, nunca estive lá.

E sempre vinha algo ou alguém pra me lembrar

Que aqui não é o meu lugar.

Aqui nem o que é meu me pertence

Nem uma fresta, nem um cantinho

Nenhum quarto em que eu pense

Com afeto ou com carinho.

Os cômodos estão todos cheios

Saturados de gritos e mágoas

Nenhum espaço em seus meios

Para mim ou minhas lágrimas.

Minha palavra não é moeda corrente

Minha opinião ninguém aceita

Minha voz ninguém entende

É coisa pouca, coisa besta.

A primeira poesia que eu escrevi, há muito tempo atrás, se chamava blackbird (que nem a música dos beatles). Eu era um passarinho preso, que vivia triste até o dia em que eu fugia. Os meus sonhos mais recorrentes são os que tem estranhos na minha casa me perseguindo.

Todos os dias importantes que eu me lembro (aniversários, natais, festas, provas de vestibular e hoje minha colação) começaram com a minha mãe brigando comigo por algum motivo, e o meu pai não fazendo nada. E eu não sou nada exigente quanto a esses dias, eu só espero que me deixem em paz.

Aqui eu não tenho um espaço privado, não tenho voz, e também não tenho nada para dizer a essas pessoas que vivem aqui. Nada.

Quase todo dia eu ouço “essa casa é minha” ou “quem manda aqui sou eu”

É terrível ..

Hoje era pra ser um dia incrível pra mim, esse dia nunca vai acontecer de novo, e meu momento mais feliz até agora foi ligar pro meu namorado e pedir pra ele me dar parabéns por eu estar me formando.

Eu continuo em frente, mas juro que não sei mais como .. eu apenas vou.

“é de mágica que eu dobro a vida em flor”

 

Toi, mon amour, mon ami dezembro 14, 2010

Filed under: Sem-categoria — Isa @ 3:17 pm

(ou o subestimado nada)

Às vezes as pessoas esquecem como é gostoso ficar sem fazer nada.

Ficar deitada, só por estar, sem esperar por anda, sem querer fazer nada além daquilo .. e estando com quem se ama.

Deitada no peito amado, respirei fundo, fechei os olhos e me deixei tomar por aquele momento que não sentia há tanto tempo: aquele ócio gostoso, despreocupado .. e tão tranquilo. Tão doce.

Tão breve ..

 

Manifesto do amor dezembro 4, 2010

Filed under: Sem-categoria — Isa @ 7:00 pm

Por esses dias – não sei bem quando, nem muito bem porquê – alguns adolescentes cariocas decidiram se juntar na Lapa e ficar gritando ‘amor’.

Só isso.

A polícia – mostrando mais uma vez que não tem nada melhor pra fazer – tentou dispersar o angry mob com um spray de pimenta – aparentemente – falso.

Agora, esses adolescentes de classe média/alta se vangloriam no facebook de ter feito um verdadeiro movimento de resistência à polícia pelo simples desejo de defender uma causa nobre.

Sinceramente?

QUE causa nobre?

O que vocês esperam ganhar com isso? Quem vocês pretendem ajudar? Duvido que ao menos uma das pessoas que estivesse lá soubesse me responder essas questões. Eles fariam como todos fazem hoje em dia ao serem questionados, desafiados a pensar: se irritariam, falariam duas ou três palavras vazias e decoradas de alguém bacaninha e iriam pro primeiro bar ao lado pra encher a cara e se gabar dos nobres feitos.

Eu conheci muita gente assim esse ano. Gente de vida confortável, que não se importa com nada realmente, mas procura alguma coisa para suprir esse imenso vazio existencial.

Isso foi muito ilustrado numa palestra que vi esse ano. Uma menina da série abaixo claramente disse, mesmo que sem querer, que ela procurava uma causa para lutar por, mas que não se IDENTIFICAVA com nenhuma delas.

Aposto que ela tava lá no tal manifesto do amor ou, se não estava, achou super bacana. Bem valente, bem .. engajado.

Aposto que muitas dessas pessoas que estavam lá gritando AMOR! AMOR! AMOR! semana passada estavam dizendo que traficante e bandido não é gente; tem que matar mesmo. Mata que resolve.

Então se permitam pensar um minuto.

Amor ao que? Amor a quem?

De repente vocês façam alguma coisa mais útil da condição de vocês.

Ou não ..

Ah, quem quiser, tem um vídeo do .. evento: http://www.youtube.com/watch?v=TAb1N4bQaL8

 

O rio de janeiro continua sendo novembro 25, 2010

Filed under: relevâncias — Isa @ 7:14 pm

Eu concordo, o Rio tá um caos. Me entristece ver tanto sofrimento, tanta morte, tanto fogo, tanta carcaça de ônibus carbonizado ..

Mas sabe o que me corrói a alma? É ver todo dia, milhões de carcaças carbonizadas, mesmo que não pelo fogo, andando de cabeça baixa para seus subempregos, suas subvidas. Essas ninguém pára pra olhar, pra tirar foto, jogar na mídia.

Me mata ouvir tanta gente que acorda do lado certo do capitalismo, e que é supostamente a parcela instruída, iluminada da população, dizendo que a solução é sair matando.

A polícia do Brasil é uma das mais violentas do mundo, será que ninguém notou que não adianta? Que a violência do povo oprimido também só faz aumentar? O desespero sobe, às vezes. E me enfurece ouvir que eu estou defendendo bandido ao invés de gente de bem. O Estado tem a obrigação de possibilitar que todos sejam gente de bem .. e muitas vezes nem quem recebe todos os recursos possíveis escolhe esse caminho! Então não venha me falar de bandido e gente de bem.

Me estilhaça por inteiro saber que isso tá acontecendo – e muito pior! – todos os dias na zona oeste desde essa besteira de UPP – SIM, besteira!! – e só cai na mídia quando acontece na zona sul.

O que adianta não é expulsar traficante do morro. Não é bala. Não é reformar uns barraquinhos, e chamar de reforma. Tem que dar moradia, estudo, saúde e alimentação de qualidade, e acessível a todos. Isso resolve. Bala só traz mais bala. Mas realmente, é um processo lento .. e ‘sabe como é, as olimpíadas ‘tão aí ..’

Mas eu entendo, porque só agora essa violência tão antiga se tornou chocante.

As pessoas esperam que essas coisas aconteçam na zona oeste. Mais cruel, no fundo, bem no fundo, elas desejam que isso ocorra lá;

desde que assim fique bem longe das portarias da zona sul.

Morte? Fogo? Caos? Isso é para a plebe. Pra Ipanema não.

E não venham me dizer que estou criticando Ipanema. Amo Ipanema. Amo as ruas, a praia, o sol de Ipanema. O que eu odeio é que mesmo por um segundo, mesmo que para uma única pessoa, Ipanema seja mais importante que qualquer outro bairro da Zona Oeste, da Zona Norte ..

O que me enfurece é gente pequena, de mente fechada.

Polícia corrupta e violenta.

Estado passivo.

E, principalmente ..

gente dizendo que tem mais é que matar esse ‘povinho’ todo pra peparar o país pras olimpíadas.

Faça-me o favor!

O brasil tem que ser melhorado para os brasileiros.

O primeiro passo é os brasileiros saberem disso ..

 

Estranho o que te faz sentir

Filed under: relevâncias,sentimentalismos — Isa @ 1:59 pm

Eu sempre fui dessas que escreve triste. Que escreve no choro, na dor, na solidão, na dúvida.

E no amor, mas no amor triste, que também é tão bonito ..

Eis que achei um amor feliz. Um amor tranqüilo, profundo, contente .. e por isso bonito.

Um amor que só causa o sofrimento da saudade. Porque o ano é tão difícil e os horários nunca batem..

Então pode ser que tenha quem ache, se é que alguém vai ler isso depois de tanto tempo assim, que esse é só mais um desabafo triste.

Mas não é.

É o mais feliz dos desabafos.

Eu me perdi tanto, caminhei tão torto, insisti tanto .. e tudo isso na entrada de um ano tão difícil .. mas me encontrei. E bem a tempo .. e uma vez encontrada, encontrei  forças pra agüentar o estresse (assim bem brasileiro), o pouco tempo, a pressão e a família.

E respiro com dificuldade, sempre chorando muito.

Mas vivo.

E a vontade de parar, de esquecer, de sumir .. nunca é maior do que a força pra mover meu próximo passo;

sempre pra frente.

Vai ver que no fundo, não é a tristeza que me impulsiona a escrever.

É só amor;

Sempre amor.

 

A Gota d’Água novembro 20, 2009

Filed under: chuvisco — Isa @ 1:00 am

Eu te dei tudo que eu tinha no primeiro momento que você sorriu pra mim; desse ponto em diante fui te dando tudo que nunca tive.

Até que não me sobrou nada, nem passado, nem presente, nem futuro, nem escrita, nem sentimento, nada. Nem você.

Que eu só consegui agradar nos tempos fáceis, de consolo, de ajuda, de peripécias; mas nunca nas mínimas discordâncias, a cada menor conflito – com os outros, ou melhor, com a outra que, no final, mesmo com tudo que te dei, é a única bagagem que você trouxe, teve e vai levar da nossa história: as vezes que te consolei por ela, as vezes que te abracei por ela, as vezes, até, que por ela te beijei. No nosso filme, agora ou no futuro próximo em que rolarem os créditos, aparecerá o nome dela primeiro, seguido pelo seu. Mais àbaixo estarei eu, como garota #1, quiçás #2, quem sabe?

Definitivamente não eu. Eu não entendo mais nada, isso eu também dei pra você. Não entendo como por mais que eu tente cuidar de você o tempo todo, e tente por tudo acalmar tuas tempestades, no final sempre te enraivecia. Não, enraivecia não; no final eu nem mesmo te tocava.

“Desculpa; é só isso que eu posso te dizer.”

É sempre assim, né? No final é sempre você com uma palavra e eu com um monólogo. Mas como pode ser só isso se eu te dei todas as minhas palavras, cada um dos meus sentimentos? Entenda, não te quero mal nenhum, eu só queria entender pra onde foi tudo isso se numa desavença ordinária eu percebo que você não guardou nada.

E quanto a isso, que ninguém se engane: eu te amo com todas as forças que já não tenho. Amo, mesmo que não possa dizer que isso é tudo que me resta, pois já virou meu corpo, meu ar, que só não te dei por não ser viável. Se não, daria. Não conta. Nada mais conta e, ainda assim, eu te amo, sim, amo, e não te guardo raiva nenhuma. Mesmo que tudo que eu te diga saia com ares agressivos, não te culpo por nada do que me trouxe até aqui. Você nunca tentou me enganar, e eu percebia tudo muito rápido, mas aceitava qualquer coisa pra estar ao teu lado. Aceitaria ainda, e para sempre, se você não tivesse me falado do mal estar que te causo, ao qual eu fazia vista grossa, mas que agora não tenho mais como negar.

Eu só não sei o que eu faço agora, se cada minuto sem você me é o mesmo que vidas, várias vidas vazias, de nascimentos confusos e mortes solitárias, sem nada no meio. Não sei pra onde vou se tudo que eu vejo é você, é de onde eu tenho que partir.

Fui indagar da lua uma direção, qualquer coisa, mas ela se envergonhou do meu estado e se escondeu. Não é terrível? Nem a lua me sobrou, no mais infeliz dos meus dias só 10% dela estava iluminada e, ainda assim, escondida por nuvens. Não se vê nenhuma estrela no céu pra me apontar que caminho seguir, o que me resta a fazer.

O que me resta quando o ar vira a droga que me consome?

O que me resta se meu corpo, meu próprio organismo, me impele a continuar tragando-a?

Se, por mais que eu tente parar, acabar com tudo, é meu próprio sadismo que me envia mais uma inspiração contaminada, antes mesmo que eu chegue perto de estar longe da desintoxicação?

O que me resta é a morte, mas sem a paz.

É o purgatório, mas sem o conforto da familiar companhia de outros sofredores.

O que me resta tem teu nome e é a ausência absoluta de você;

é o vazio

 

Obsessão setembro 19, 2009

Filed under: Sem-categoria — Isa @ 1:44 am

.. é algo que eu definitivamente sou incapaz de compreender nesse momento.

Eu realmente fico embasbacada – e meio entediada, confesso – ao ver inúmeros de meus amigos obsecados – ao mesmo tempo! – por uma determinada pessoa ou coisa.

Tem duas amigas minhas, em especial, que estão obsecadas por uma pessoa que mal conhecem. Pra quê?

Não sei se é porque estou numa fase de maior desapego, mas realmente ma parece absurdo e muito, muito chato ficar o dia inteiro pensando numa pessoa fixa, numa idéia só.

O que aconteceu com o multifuncionalismo que fora outrora tão estimado?

Encantamento é uma coisa .. eu me encanto sempre, mas me encanto por várias pessoas .. pessoas são extremamente encantadoras, e não há mal nenhum nisso.

Mas se apegar tão fácil assim é medonho. Se apegar pra mim é algo muito raro, extremamente especial.

É como se eu consentisse a penetração da minha alma à algo tão volúvel quanto uma pessoa.

Não quero um entra e sai de estranhos não, muito obrigada.

(Desculpem o tempo sumida, aos poucos pretendo retomar o ritmo)