Por esses dias – não sei bem quando, nem muito bem porquê – alguns adolescentes cariocas decidiram se juntar na Lapa e ficar gritando ‘amor’.
Só isso.
A polícia – mostrando mais uma vez que não tem nada melhor pra fazer – tentou dispersar o angry mob com um spray de pimenta – aparentemente – falso.
Agora, esses adolescentes de classe média/alta se vangloriam no facebook de ter feito um verdadeiro movimento de resistência à polícia pelo simples desejo de defender uma causa nobre.
Sinceramente?
QUE causa nobre?
O que vocês esperam ganhar com isso? Quem vocês pretendem ajudar? Duvido que ao menos uma das pessoas que estivesse lá soubesse me responder essas questões. Eles fariam como todos fazem hoje em dia ao serem questionados, desafiados a pensar: se irritariam, falariam duas ou três palavras vazias e decoradas de alguém bacaninha e iriam pro primeiro bar ao lado pra encher a cara e se gabar dos nobres feitos.
Eu conheci muita gente assim esse ano. Gente de vida confortável, que não se importa com nada realmente, mas procura alguma coisa para suprir esse imenso vazio existencial.
Isso foi muito ilustrado numa palestra que vi esse ano. Uma menina da série abaixo claramente disse, mesmo que sem querer, que ela procurava uma causa para lutar por, mas que não se IDENTIFICAVA com nenhuma delas.
Aposto que ela tava lá no tal manifesto do amor ou, se não estava, achou super bacana. Bem valente, bem .. engajado.
Aposto que muitas dessas pessoas que estavam lá gritando AMOR! AMOR! AMOR! semana passada estavam dizendo que traficante e bandido não é gente; tem que matar mesmo. Mata que resolve.
Então se permitam pensar um minuto.
Amor ao que? Amor a quem?
De repente vocês façam alguma coisa mais útil da condição de vocês.
Ou não ..
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Ah, quem quiser, tem um vídeo do .. evento: http://www.youtube.com/watch?v=TAb1N4bQaL8
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