Existencialidades

O texto da caixa de violão

Publicado por: Isa em: Agosto 17, 2009

Quando eu namorava o Thiago, no aniversário dele o presenteei com um violão, carinhosamente batizado de Jorge (e mais carinhosamente apelidado de Negão). A caixa do violão ficou aqui em casa. Pro dia dos namorados, escrevi na caixa de violão toda, frente e verso, tudo, simplesmente tudo que eu sentia por ele. É um texto muito importante pra mim, e, por isso, o ponho aqui no Exist junto com tantos outros sentimentos queridos. É o texto mais sincero que já escrevi e espero mesmo que ele o guarde pra sempre, porque deu trabalho.

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Bebê,

hoje é dia dos namorados, esse violão foi seu presente de aniversário – que foi três dias depois dos nossos dois meses de namoro e dois dias depois dos nossos três meses juntos – e, logo logo, antes mesmo que a gente perceba, estaremos fazendo 4 e 5 meses, e 1 ano, e 2 e 3 ..

Passei muito tempo pensando no que eu ia escrever nessa caixa; eu não podia desejar, porque já tinha desejado no depoimento de aniversário, e eu não podia agradecer, porque já tinha agradecido não só no cartão de dia dos namorados como em todos os dias desde que você apareceu na minha vida. Não podia ser qualquer coisinha; essa caixa representa um monte de datas, um monte de tempo, um monte de .. sentimentos, sensações. E é deles que eu vou falar. Desse “whole new world” que você implantou na minha vida e que é tão, tão! mais bonito mais colorido, mais .. mais vivo, cacete, por mais redundante que isso possa parecer.

Vou falar de como a felicidade é mais constante, como a saudade é mais forte, como os batimentos cardíacos são mais acelerados, os beijos mais longos, os abraços mais apertados, os olhares mais profundos, as palavras mais significativas e o amor maior, mais sincero, mais absoluto. Mais recíproco. E como é tudo tão maravilhosamente novo, surpreendentemente único. A cada beijo, por mais constantes que esses sejam, eu sinto uma sensação totalmente nova, diferente de todas as outras mas que, ainda assim, de alguma maneira ou outra, sempre tem um pouco daquele sentimento do verdadeiro primeiro beijo, na casa do Alessio, aquele que anulou todos os beijos dados antes daquele. A cada “eu te amo”, por mais que esses possam parecer repetitivos a quem ouve de fora, meu coração dispara, até o ponto de parecer não caber no peito, exatamente como na primeira vez, no rosas, dia 22 de março de 2008, e ainda assim, completamente diferente.

Cada uma de nossas primeiras vezes está guardada na minha memória; mas com voce, não sei explicar, até as ações mais banais e cotidianas acabam sendo “primeiras vezes”: cheias de emoções inusitadas, abracadabrantes. E não sei se isso fica claro pra quem vê de fora, mas é absolutamente lindo; é de uma pureza praticamente sem igual. A maior parte das primeiras vezes de um ser humano ocorrem quendo ele é apenas um bebê pequeno e frágil, que não sabe muito bem como e porque ele foi parar naquele mundo tão complicado onde todos são maiores que ele e se recusam a explicar-lhe qualquer coisa que seja. É até engraçado imaginar que as pessoas me olham de fora e sequer imaginam o tamanho da minha sorte ! Elas não fazem idéia de como nossa relação é mágica, como esses sentimentos são complexos e como eu sou privilegiada por poder sentir e analisar sensações que, até hoje, eram exclusividades de bebês ! E eu não só lembro, como entendo cada uma dessas emoções. Não é tão dificil; é amor simples e puro mas, ao mesmo tempo, metamórfico. Ele desfila diante dos meu olhos nas mais diversas formas, nas cores mais brilhantes, eu faço o possível para tirar o maior proveito dele, para que meus olhos reflitam tudo aos seus. Por isso é tão importante te mostrar tudo que eu sinto: é tudo tão imcomparavelmente belo, puro. Graças a você eu sei o gelado do primeiro sorvete, a expectativa do primeiro filme, o desespero da primeira saudade, o salgado da primeira onda na pele, o doce da primeira palavra gentil, o frio da primeira brisa no rosto e o calor inconstante de um primeiro amor. Acima de tudo, a alegria na urgência de te fazer feliz, o MAIS feliz, como simples forma de, bom, agradecimento, mesmo que eu tenha decidido não me prolongar sobre esse tema. Não sei dizer se a explicaçao é válida, mas talvez tantas primeiras vezes sejam o motivo de todas as nossas despedidas parecerem eternas, sem importar se nos veremos no dia seguinte ou somente na quinta, conforme a hora da separação se aproxima, cada beijo fica maior, mais voraz, depois com mais ternura. Cada abraço mais apertado, desesperado, para ir se afrouxando lentamente até a hora que nossos corpos finalmente se separam e seguem cada um seu rumo. Outro privilégio.

Se primeiras vezes são destinadas a bebês, últimas vezes são destinadas a velhos, fracos, angustiados. Pessoas que já descobriram tudo e já estão cansadas desse óbvio todo. E eu, com você, posso ter várias últimas vezes sabendo que ainda terei uma vida delas pela frente, já que no final das contas elas acabam se confundindo com as primeiras, gerando vezes inomináveis, únicas; nossas. Outra beleza inegável. Nossa união ultrapassa as barreiras mundanas, não respeita ciclo de vida algum. Pode parecer exagero, ou até muita pretensão, mas eu realmente ouso afirmar isso tudo que eu escrevi aqui e, não obstante, declarar que acredito piamente que tudo isso faz total sentido. E faz. Pros outros, não sei, mas estou certa que você entende e sua simples compreensão é a única que preciso, tal como não preciso de outros olhares, outras palavras, outro alguém. Tudo que sempre quis e precisei se mistura, se confunde pra formar você, pura e simplesmente você, com todas as qualidades e imperfeições que criam, além das inúmeras sensações já citadas, uma nova definição de perfeição; o que é perfeito, não da maneira humana, utópica .. mas à minha maneira. E essa maneira é você, bebê, sem tirar nem pôr, com todas as pequenas coisas que me encantam. Seus ciuminhos, suas palhaçadas, as coisas que você sussurra no meu ouvido enquanto me abraça, me protege, me colocando o mais próximo de você possível. E ainda assim esse perto nunca parece suficiente, eu sempre quero mais, falar mais, beijar mais, abraçar mais, até te morder mais ou rir mais de você quando você morde meu nariz ou fala que minhas onomatopéias são lindas.

Você me tem tão completamente que tudo me lembra você. É meio que uma espécie de narcicismo às avessas que me faz achar que tudo foi  feito pensado pra você. Cada música, imagem, foto, poema, palavra, cada figura de linguagem, cada beleza, cada caos, cada excesso. Tudo criado por nossos jogos (parêntese pra dizer que nessa palavra o Thiago não entendeu minha letra e eu demorei MUITO pra lembrar que palavra ficava aqui. Não é minha culpa se meu J é errado u.u) ou leis, pela nossa união. Voce é a única pessoa que me encanta mais que Beatles e até hoje não sei se deixei clara tamanha intensidade. Acho que isso foi o mais próximo que eu já cheguei, mas continuo com aquela persistente sensação de que ainda há muito mais a ser dito;

Um mundo e meio meu amor. Você sabe bem.

“Limitless undying love which shines around me like a million suns and calls me on and on across the universe”

Te amo muito.

Beijos, isa.

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4 Respostas para "O texto da caixa de violão"

Quanto sentimento em uma caixa….

Tudo que é sincero, sentido, vivido, é lindo.
Suas palavras são simples e lindas, Isa.
Que amor mais bonito… Que bom que você amou!!

Que lindo o texto que você escreveu na caixa do violão. Deve ter dado um trabalhão! ^^ Desculpa o desaparecimento Isa! Eu estava em semana de provas e nem o blog eu tinha atualizado. Agora tudo está em ordem e eu já atualizei o blog. Quando quiser fique a vontade para uma visita. Beijos e tudo de bom.
Espero que ele guarde com carinho suas palavras.^^

Desde que vc postou, li esse texto dezenas de vezes e não sabia o que dizer, ainda não sei, na verdade, só que ele me faz pensar no quanto é importante nos reconciliarmos quando a saudade corresponde às nossas certezas, só assim reconhecemos o quê e quem é importante de verdade na vida da gente.

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Ce ne sont pas mes gestes que j'écris, c'est moi, c'est mon essence. (Montaigne)

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