Existencialidades

Unique

Publicado por: Isa em: Agosto 1, 2009

Ao longo da sua vida, você vai ficar “afim” de inúmeras pessoas, e amar um certo número (bem) mais restrito delas.

O amor, se é amor mesmo, geralmente não passa, apenas muda.

Mas esse desejo, essa vontade de alguém .. o tempo leva, traz outros.

Mas tem uma pessoa, apenas uma, que eu tenho certeza que vou morrer com isso.

Um certo amigo, de nome irrelevante, que em janeiro de 2006 eu conheci em um lugar mágico, em condições especiais, o encanto foi imediato .. era algo sobre seu jeito, o contato .. definitivamente o contato.

Nos víamos regularmente. Um dia, ficamos. Foi tudo que eu imaginava e um pouquinho mais, exatamente como é na maioria das vezes, vocês já sabem o protocolo, não preciso explicar.

Quando ele começava a namorar – sempre! sempre namorando esse menino, sempre, sempre – passávamos a nos ver menos, e com o passar do tempo eu nem pensava mais nisso .. e quando lá estava eu, destraída, um belo dia ele aparecia no metrô – sempre no metrô. Me enlaçava o corpo, apenas alguns segundos a mais e apenas um pouco mais forte que as outras pessoas, afastava-se um pouco, mas mantendo o abraço, conversava comigo como se tivéssemos nos visto ontem mesmo.

Talvez sejam esses poucos segundos que façam a diferença, ou essa pequena, quase imperceptível força extra.

Mais provavelmente, talvez seja essa continuidade do abraço que ele parece relutar em romper, pela importância que o contato tem pra mim.

Definitivamente não é por ele ser mais carinhoso, ou mais gentil, ou mais bonito que os outros.

Muitas pessoas já me perguntaram se eu tenho certeza que não é amor, mas volto a dizer, pela enésima vez que sim, estou certa e muito segura.

É muito diferente. Eu poderia citar inúmeras diferenças, mas a mais berrante é que sua ausência não me causa dor, apenas vontade.

É mais como se eu tivesse fome dele, mas não essa urgência avassaladora do amor.

Segunda, mais uma vez, ele apareceu no metrô, enlaçou-me o corpo e aquelas sensações todas embaralhadas me subiram à cabeça.

Para variar, ele está namorando. É por isso que eu meio que agradeço essa distância que se estabelece entre nós nessas épocas .. ele me trata sempre exatamente do mesmo jeito, com o mesmo contato em dose certa, e é mais seguro, mesmo que menos prazeroso, que permaneça desse jeito.

Não tenho pressa, pois sei que esse “sentimento” (por não haver palavra melhor) vai me acompanhar por toda a vida, mais que qualquer amor, mais que qualquer coisa.

Eu apenas sei.

Não sei se pela rusticidade do “sentimento”, ou por que outro motivo .. eu apenas sei.

Apenas sei e aceito sem escolha que por mais apaixonada que eu esteja por qualquer pessoa, eu sempre vou prestar mais atenção na ciclovia da orla, na sua rua ..

pra sempre te encontrar quando estiver desatenta, no metrô, perder o fôlego entre os seus braços e agradecer por cada beijo.

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Ce ne sont pas mes gestes que j'écris, c'est moi, c'est mon essence. (Montaigne)

[Não são meus gestos que escrevo, sou eu, é minha essência]

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