Existencialidades

Um post não-correto

Publicado por: Isa em: Junho 22, 2009

Estou em semana de provas e devia estar estudando, que é o que eu estou fazendo meio mal e porcamente há umas três horas porque hoje nada que eu fizer vai ser direito e tudo vai ser muito, muito certo.

Porque hoje meu cérebro explodiu.

Estava lá sentada na biblioteca ouvindo uma explicação de uma matéria, aí outra do grupo ao lado me invadiu, aí eu olhei em volta os livros, livros, livros e bum, acabou, explodiu e eu não ouvi mais nada e não vi mais ninguém e vice e versa.

Eu só via sentimento.

Olhei pr’onde lembrava vagamente haver um menino do terceiro ano dormindo e vi uma pontinha de inveja bem pequenininha.

Olhei pras pessoas de perto e só vi montes de confusão emaranhadas e fugi sem dar desculpa, acho. Talvez tenha dado, mas sinceramente não lembro.

Corri escada abaixo. Sentei na beira de um banco com Carinho, Estranho-Amor e Simpatia e olhei em volta para as Felicidades Pululantes, as Confusões de Estudos e as Curiosidades de Fofocas. Mais além vi um Amor passando e me bateu uma sensação louca e descontrolada não sei de onde que me fez correr e pular nos seus braços, ou ombros ou não sei, mas mergulhei num Amor Sincero que me fez muito bem. Vi de relance Amor-Confuso e quis fugir mesmo sem entender porquê, mas Adrenalina de Correria de Criança me bateu e me demorei um pouco mais. A visão das coisas foi voltando lentamente e seguiu um ritmo lento. Eu via tudo devagar. Eu nem pensava. Às vezes me tocava de que não estava respirando e respirava.

Continuei assim. Li exercícios, aulas e mensagens de texto e tudo me pareceu cheio de complexidade, peso e significados que se escondiam nas curvas das letras.

Fiz uma prova e já não consigo lembrar de uma resposta que marquei.

Chegando em casa, estudei história e já confundo cada revolução e independência. É tudo inútil de qualquer forma, nunca somos independentes de verdade porque sempre vamos e nos amarramos há milhares de coisas e pessoas volúveis e explicações incompletas até que BUM e tudo fica lento.

Comecei escrevendo tudo muito lentamente;

agora, vou voltando ao ritmo normal, mas já não lembro como comecei esse post.

Entendo, enfim, porque sou só sentimento.

Não cabe mais nada. Quando é necessário me entrar um pouquinho de razão que seja, BUM.

O sentimento empurra tudo pra fora e se aproveita pra pegar ainda mais espaço.

Eu sou vontade. Sou amor. Sou desejo. Sou alegria, tristeza, raiva. Sou confusão.

“Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.”

A razão são as pessoas andando em câmera lenta pelos pátios embaçados lá fora, com suas filosofias erradas, suas equações precisas e suas revoluções embaralhadas.

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Existencialidades ~

Ce ne sont pas mes gestes que j'écris, c'est moi, c'est mon essence. (Montaigne)

[Não são meus gestos que escrevo, sou eu, é minha essência]

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