Publicado por: Isa em: Setembro 5, 2008
Minhas últimas 60 horas:
Dia 1, quarta-feira, dia 3 de setembro.
Lá estava eu, feliz, pimpona e serelepe indo pegar o metrô pra casa como eu faço todo dia, depois de um dia de aula que não teria tido nada de extraordinário se não fosse por um princípio de gripe um tanto quanto inconveniente, mas nada grave. Cheguei à plataforma do Largo do Machado no horário habitual, 17:00, e fiquei esperando pacientemente um trem sentido zona norte. Passou um pra zona sul, ok. Então passaram 2, 3, 4, CINCO pra zona sul e nada de um mísero trenzinho pra zona norte. E nisso iam chegando cada vez mais pessoas e a plataforma ia lotando. 17:15 chega o tão maldito esperado trem. Entro, sem perder totalmente a calma, onde fico espremida entre dois caras muito altos que fediam absurdamente. Até aí, tudo bem. Life is beautiful.
Chegando no Cetete, passamos uns 10 minutos parados. Finalmente, andamos, para parar mais uma vez por uns bons minutos antes mesmo de chegar na Glória. Continuamos. Chegando lá, na Glória, apenas duas míseras estações após minha entrada no trem, o filho da puta boqueteiro adorável motorista do trem nos informa que o metrô não continuará o trajeto por problemas técnicos. Oh, maravilha. Mas obviamente, mesmo me encontrando naquela multidão frenética, eu não perdi a classe. I’m a lady. Liguei pro meu pai, expliquei a situação e disse que provavelmente chegaria em casa um pouco mais tarde que o habitual, devido ao incidente. Vendo que me encontrava consideravelmente longe da saída do metrô, fui andando lentamente, com todo cuidado para não bater minha mochila de tamanho descomunal em ninguém. *Com licença, obrigada, com licença .. com licença! Obrigada* E fui caminhando lentamente em meu pacífico trajeto até a saída. Até que um corno filho de um pablito boqueteiro inocente pedreste, ao ouvir meu “com licença” de incomum educação, cometeu o erro de responder, simplesmente: “Vai se foder”
“como é que é, amigo?”
E é mais ou menos nessa hora que a pacífica garotinha pega sua já mencionada mochila de tamanho descomunal e sai batendo em todo mundo batalhando seu caminho até a saída do metrô. E um foda-se à educação. Minha mãe se orgulharia.
Finalmente, chegando à luz do dia, eu tento achar um meio de ir pra casa. Eu poderia, sim, pegar um ônibus, mas eu já estava começando a ficar puta da vida perder as estribeiras então liguei para o meu querido papai e mencionei estas cândidas palavras: “pai, dane-se, eu vou pegar um taxi e você vai pagar, beijos” e desliguei o telefone antes que pudesse ouvir os protestos de papai. Fiz sinal para um taxi que me viu, parou e me desejou bom dia. Quando eu estava prestes a entrar no táxi, uma mulher me deu um esbarrão e entrou no que seria meu meio de transporte até o conforto e segurança da minha casa. O motorista, sem saber o que fazer, olhava nervosamente para mim, como se dissesse “não foi culpa minha, mesmo”. Respirei fundo, e perguntei à mulher da maneira mais educada que encontrei, o que diabos ela estava fazendo no meu táxi. Ela me olhou com um ar divertido e nada respondeu. Sufoquei uma série dos meus melhores palavrões e disse simplesmente: “Ok, boa viagem. Espero que o táxi capote e sua mãe te atropele, passar bem.” (Sério) Divertida com o olhar de espanto da mulher, o táxi partiu e eu fiz sinal novamente para outro táxi. Ele parou. Depois da cena da mulher todos ficaram meio apreensivos e dessa vez ninguém ousou roubar meu táxi. Aliviada, entrei, pensando em finalmente ter um pouco de paz.
Hahahahaha, not yet, little girl.
Depois de uma hora de trânsito caótico presa num cúbiculo amarelo móvel com um motorista de língua presa, percorrendo um trajeto que geralmente levaria de 20 a 30 minutos, cheguei ao meu destino. Ah, lar doce lar, certo? Não para mim, queridinhos. Ao informar ao meu pai que a corrida deu 23 reais, ele ficou simplesmente puto, e me deu o dinheiro com relutância, comentando quão estranho era o fato de nada na internet comentar o “suposto” defeito no metrô. Sem a menor disposição para discutir, peguei o dinheiro e paguei o táxi. A essa altura vocês devem estar pensando que, depois disso tudo, eu fui dormir e acordar para um novo dia, um melhor e mais feliz, certo? Mas não, claro que não. Papai me obrigou a estudar a hora diária habitual. Falei com o namorado e fui dormir.
Dia 2, quinta-feira, dia 4 de setembro.
Acordei, um pouco pior da minha gripe, mas nada muito grave. Era quinta, afinal, dia que o Thiago vem pra cá, e isso já servia pra me fazer esquecer a preguiça e ir pra escola, mesmo sabendo que ia ter que encarar prova de economia e de matemática. Ok, life is beautiful, here we go. No metrô, chegando no ponto da escola, uma senhora entrou e, como eu ia sair, ofereci meu lugar à ela. A velhinha me esbofeteou. Sério, sem brincadeira, a velhinha me deu um bofetão perguntando se eu a estava chamando de velha. Saí do metrô em estado catatônico. Não fui genial em nenhuma das provas, mas bem em ambas. Conforme o tempo passava ia ficando cada vez mais quente. Fui pra casa. Saindo do metrô, já no meu bairro, liguei pro Thiago. Ele estava chegandpo e falou pra eu esperar. Ok. O calor foi aumentando e eu comecei a passar mal. Ele chegou e, percebendo que eu não estava muito bem, me levou ao horti fruti onde ele comprou um suco. O suco tomado, comecei a melhorar. Fomos subindo lentamente a rua. Ao chegar em casa, olhei para o relógio. Eu estava 46 minutos atrasada. Mas tudo bem, talvez meu pai nem tivesse notado. Haha, até parece. Ouvi dez minutos de gritaria sobre como eu era irresponsável, idiota e imatura. E como ele não podia saber se eu estava falando a verdade sobre o problema no metrô ou sobre o meu mal estar. *Oh, I can’t believe in that shit* E meu pai gritando é uma coisa muito intimidadora, mas nada impossível de suportar, principalmente tão acostumada quanto eu já estou. Até a hora que ele concluiu que até eu tomar jeito eu só poderia ver o Thiago sábado e domingo. Ok, agüentei firme até ele acabar e saí do escritório, podendo ter com um pouco mais de dignidade minha crise incontrolável de choro. Me sentei no chão frio da cozinha e desatei a chorar, primeiro baixinho, depois soluços mais fortes. O Thiago me achou, me levantou, secou minhas lágrimas e me consolou, suportando meu silêncio melhor do que já vi qualquer pessoa suportar e sugeriu que eu tomasse um banho para me acalmar. Tomei o banho, sem me acalmar por completo porém. Me vesti e me encolhi no meu esconderijo favorito – o peito dele, é claro – e continuei a chorar. Ele levantou meu rosto e me consolou o melhor que pôde e não sei se ele já sabe o quão grata eu fiquei por isso.
Um pouco melhor, ou ao menos mais controlada, aproveitei o que seria minha última quinta-feira com ele durante um bom tempo. Um ponto forte – talvez o único – dessas últimas horas. Fomos para minha aula de violão, eu e ele, e fui sentindo minha gripe piorar. Mas ok. Agüentei a aula e aproveitei nossa meia hora juntos antes do meu curso de inglês. Me despedi dele com dificuldade e entrei, ficando cada vez pior. Ao final do curso, minha mãe estava me esperando. O caso, é que a minha mãe está tendo uma crise avarenta desde que descobriu que ficaria desempregada. Mesmo depois de diversas réplicas minhas, dizendo que eu estava realmente mal e pedindo para por favor pegar um táxi, fomos a pé. No trajeto, minha mãe ainda ficou de papo com uma conhecida enquanto eu me sentia enfraquecer lentamente. Obrigada, mãe, obrigada mesmo. Chegando em casa, tomei remédios, falei com o namorado e dormi um sono perturbado, leve, sem conforto.
Dia 3, sexta-feira, dia 5 de setembro, hoje.
Acordei tão mal que meu pai nem considerou a hipótese de eu ir pra aula. Dormi muito, muito, muito, li um pouco e só saí do quarto para ligar pra .. bom, vocês sabem quem, oras, é óbvio. Passei boa parte do dia ao telefone com ele. Comi. Telefone de novo. Internet, falar com ele, escrever. Minha febre ficou variando de 38 a 39 graus o dia todo. Eu ia ficando com frio ou com calor, sendo o calor realmente insuportável graças a minha impossibilidade de ligar o ar condicionado. Meu corpo dói dos pés a cabeça, a cabeça principalmente, eu não páro de tossir e meu nariz supera as as cataratas do Niágara fácil.
Concluo dizendo, simplesmente, que eu espero não morrer na magra idade de 15 anos.
Vie de merde.
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