Publicado por: Isa em: Agosto 16, 2008
do meu cérebro.
Really, todo mundo, ao menos uma vez na vida já se identificou com coisas aleatórias, tipo propagandas, citações, músicas .. eu sempre tive uma tendência (mucho loca) a me identificar com muitas, muitas dessas coisas em quantidades homéricas.
O chato é que nem sempre é bom.
Dá pra tirar conclusões definitivas sobre o estado emocional presente de uma pessoa pelas coisas com as quais ela se identifica.
Eu desenvolveria esse tema, juro, mas tô num dia meio egocêntrico, então só vou falar de mim mesma.
Comecemos pelas tais Terras Devastadas. De dentro para fora.
Os dois personagens divididos ao meio. Sou eu. Inteiramente eu. Só esses dois personagens fictícios podem entender o que eu estou passando agora. As vozes nas suas cabeças dizem cada uma coisas inversas, as duas, porém, se mostrando igualmente reais.
Minha primeira metade é ódio; é tristeza; é confusão; é baixa auto-estima. Tudo isso provindo do lugar onde eu moro. Eu não tenho um lar, e isso foi me deixando tão emocionalmente desequilibrada, que tem vezes que do nada eu fico triste .. às vezes eu acordo chorando, e sem saber porque. Pequenas coisas dão errado e geram um caos tão absoluto e concreto quanto as coisas maiores, mais graves. E eu odeio mostrar tristeza, porque pra mim é sinônimo de fraqueza por excelência. O problema é que cheguei ao ponto de temer a insanidade se não botasse isso pra fora. Eu odeio. Às vezes me assusto vendo a minha capacidade se desdobrar diante dos meus olhos independente da minha vontade. Eu odeio a minha mãe e a capacidade dela de me botar pra baixo. Eu odeio meu pai, e o jeito que ele nunca se opõe à minha mãe, e o jeito que ele se opõe às coisas desnecessárias. Eu odeio o jeito como eles me fizeram odiar. Eu odeio o jeito que eles me tiraram um lar.
Eu simplesmente odeio me sentir numa jaula e, pior ainda, morando com animais. E no sentido mais literal da palavra.
Mas tem essa outra metade. A parte que cabe a ele. Ele que eu amo, que eu simplesmente adoro, que eu não troco por ninguém. Ele que me consola e diz que tudo vai ficar bem, e que eu não sou realmente tudo aquilo que a minha mãe fala; que um dia ela vai me dar valor. Ele que não se intimida pelos meus problemas, e compra minhas brigas, como se fossem dele. Ele que me olhou enquanto eu dormia, me beijou quando acordei e me disse que ficaria comigo para sempre. Ele que roubou meu coração, deixando o dele no lugar. Ele para quem eu deixo um espaço livre na cama, e sonho em ver ao acordar. Ele que me faz respirar, apesar de tudo, e suportar dia após dia, um de cada vez, e que promete me dar um lar, um de verdade, um ao qual eu fique feliz de chegar, que me dê alívio, me dê proteção, descanso e paz.
É uma batalha desigual, na qual a primeira metade fala mais, mas, a segunda, mais alto. Mas essa guerra parece que não acaba, e está me deixando louca. Pouco a pouco, eu me sinto descontrolar, entristecer, e me animar, mas sempre, sempre voltando a entristecer, até o dia que eu passe por essa porta uma última e definitiva vez. Eu só espero não ficar irremediavelmente depressiva até lá, mas esse cargo eu entrego nas mãos dele.
Uma me destrói, enquanto a outra me repara ..
.. nessas terras devastadas dos meus pensamentos e emoções.
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