(ou ‘Quando a fase existencial da Isa vai passar?’)
(resposta ao título alternativo indefinida, beijos)
Eu tava no ônibus, né, já percebi que esses meus momentos existenciais são sempre em ônibus ou no meu quarto, até nisso sou extremamente sistemática. Enfim, estava chovendo, claro. E eu estava ouvindo Beatles, lógico, eu sempre viajo ouvindo Beatles. Aí eu olhei em volta e vi várias pessoas, inclusive algumas que eu conhecia, mas com as quais eu não queria falar. Sem motivo, às vezes eu acordo assim mesmo. Às vezes não, mas esse é um daqueles dias que você só sai de casa por algum motivo muito especial (leia-se ele. Vamos lá, já não é segredo pra ninguém que tudo que eu faço desde respirar até apontar um lápis é por causa dele), e, na despedida do tal motivo, já se vê louca pra voltar pra casa e passar the whole day (anti-)socializando feliz por aí.
Mãs, tava um trânsito da porra. E tinha tanta gente, que, bom, eu praticamente não tinha escolha nenhuma a não ser entrar em um dos meus momentos-interrogações. A pergunta da vez era Quanto.
Olhei para cada uma das pessoas em volta, no ônibus e fora dele, e me pus a imaginar, não só por eles como por mim mesma ..
Quantas pessoas estariam melhor sem você, e quantas nunca estariam tão bem? Quantas tentam a todo custo seguir a vida sem você, e quantas não poderiam viver sem? Quantas virariam a cara ao te ver na rua, e quantas desceriam de um ônibus só para andar ao seu lado? Quantas disfarçam ódio, quantas disfarçam amor? Quantas te acusam pelas suas costas, quantas te defendem até a morte? Quantas preferiam que você não tivesse vindo, quantas ficam realmente felizes com a sua chegada? Quantas te veriam chorar e passariam batidas, quantas secariam suas lágrimas? Quantas te acham louca, quantas fariam loucuras por você? Quantas te dizem palavras vazias, quantas são totalmente sinceras?
Ao longo da sua vida, várias pessoas te dirão que você pode lhes dizer tudo, mas
com quantas você realmente pode contar?
Reflitoa.
Tem dias que eu acordo com lágrimas à postos, que apenas pouquíssimas respostas às centenas de interrogações conseguem evitar.
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