Mono-eu

Eu vim aqui toda cheia de vontade de escrever; não tinha nenhum tema em mente, precisava, apenas, escrever.

Fui relendo cada post, cada poema, cada prosa já escritos com o intuito de escrever algo totalmente inovador.

Imaginem a minha angústia ao descobrir que, simplesmente, não consigo. Não é que eu não consiga escrever, não, o que me faltam não são palavras; o que me faltam são temas. Como posso escrever sobre coisas novas, se tudo que eu tenho dentro de mim é tão batido, tão clichê? Como posso escrever ou compôr qualquer coisa, se só tem um único sentimento dentro de mim, que por tamanha grandeza afasta qualquer outro que tente tomar seu lugar? Como já dizia Oswaldo Montenegro (eu gosto dele :D) “Que minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor e a outra .. também.”

Procurei diversos temas, pensei, repensei, sentei, levantei, deitei, me decidi por levantar, andei, corri, parei. E não me veio nada, nada senão amor, simples e puro, em forma bruta, pouco trabalhável, difícil de lapidar, de desenvolver.

Não que amor não seja um tema vasto. Mas difícil. A não ser quando se sofre; quando se sofre as palavras saem em cataratas. Engraçado como os únicos sentimentos calados são aqueles mais verdadeiros, mais pacíficos, mais felizes. Chega a me dar agonia, sentir tanto, pensar tanto, e não conseguir fazer nada passar pela garganta.

E o mais engraçado, que me diverte como poucas coisas, é que parece que você sabe, mesmo sem eu conseguir dizer, que tudo que eu sinto é amor, e ele todo é pra você.

Parece até que você sabe, mesmo que eu tenha vergonha de dizer, que só tem você em cada respiração, cada pensamento, cada frase dita ou escrita, é tudo você, por você e somente para você. Eu sempre fui tão segura, tão absolutamente minha, que chega a ferir meu orgulho admitir que a parcela de mim mesma que me cabe chegou a zero ..

E que eu gosto disso, por mais absurdo que isso me pareceria se eu não tivesse te conhecido e virado essa pessoa totalmente nova, essa mono-pessoa, tão desinteressante e clichê e, ao mesmo tempo, tão nova e desafiadora! Que me prende, me enlaça, me arrebata, simplesmente por me surpreender. Então é mais ou menos aí que eu reparo que essa menininha ofegante, cheia de mudanças de humor e batidas cardíacas em ritmo da bateria da beija-flor é nada mais, nada menos que ..

Bom, uma mono-eu.

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